Login  Recuperar
Password
  26 de Setembro de 2020
Estão utilizadores online Existem actualmente entidades no directório

Pode fazer o registo (grátis) do seu mail pessoal/ profissional e ter acesso privado, password e serviços personalizados, nos sites e redes sociais dos jornais. Terá uma assinatura digital de Grupo (gratuita), mas personalizada. Pretende registar-se?

Registar-se com o seu email pessoal/ profissional

(aguarde 5)
Siga a nossa página Google Plus Siga a nossa página Facebook Siga-nos no Twitter Siga-nos no Picasa Siga-nos no YouTube Dispositivos móveis Assine a edição impressa
Sociedade
Imprimir em PDF    Imprimir    Enviar por email   Diminuir fonte   Aumentar fonte

Centros de dia fazem falta aos idosos

Os centros de dia aguardam luz verde do Governo para voltar a abrir portas. Incluídos nos grupos de maior risco de contaminação pela Covid19, muitos idosos sobretudo os que têm maiores dificuldades de mobilidade, estão em casa desde março. Alguns que têm a família longe recebem apenas a visita das auxiliares do centro de dia que lhes levam a refeição, de segunda a sexta-feira. Com o encerramento desde março, agravaram-se alguns casos de demência, redução da capacidade motora, mas sobretudo a falta de afetos e convívio.

15-07-2020 | Marlene Sousa

1 Manuel Querido de 90 anos e Maria Teresa Isabel de 91 do Carvalhal Benfeito estão com saudades do centro de dia
[+] Fotos
1 Manuel Querido de 90 anos e Maria Teresa Isabel de 91 do Carvalhal Benfeito estão com saudades do centro de dia

Há 17 instituições particulares de solidariedade social (IPSS) no concelho das Caldas da Rainha que cobrem todas as freguesias. A vereadora da Câmara das Caldas responsável pelo pelouro de ação social, Maria da Conceição, disse que os “centros de dia encerraram e estão a ser substituídos por apoio domiciliário, para reduzir riscos de contágio pelo novo coronavírus”.
No entanto reconhece a necessidade de reabrirem “porque há pessoas que estão sozinhas, nem sequer família têm ou está longe. Foram para casa há três meses quando os centros de dia fecharam, com a declaração do estado de emergência. Há muitos idosos que estão isolados com muito com saudades de voltarem a conviver”, alertou, a autarca.
No entanto afirma que em primeiro lugar “está a saúde dos mesmos”.
Segundo Maria da Conceição, a maioria dos idosos vão para os centros de dia porque se sentem sozinhos, e é para muitos “o único local onde convivem”. Espera que abram a seguir ao verão, “se a pandemia estiver mais controlada com todas as medidas de segurança”.


“Muitos utentes estão deprimidos”

Para, Maria Trindade Pedro, diretora técnica do Centro Social Paroquial Nossa Senhora das Mercês Carvalhal Benfeito que está no terreno “a realidade é preocupante”. “Muitos destes idosos estão deprimidos e não percebem porque não podem sair e estar com os seus companheiros do centro, sentem falta das atividades”, manifestou.
Segundo esta responsável, há utentes que todos dias perguntam “quando é que vão voltar para a instituição”. Alguns “já perderam a esperança e dizem que já não voltam mais”, contou, adiantando que “sem resposta concreta para lhes dar tentamos dar algum ânimo a dizer que possivelmente o centro vai reabrir”.
Maria Trindade Pedro recordou as várias atividades que fazem no centro para os manter ocupados, inclusive vão à praia entre outros passeios. “Mais do que a refeição é o convívio e o facto de estarem acompanhados durante o dia”, salientou, acrescentando que “alguns estão a perder alguma mobilidade porque estão parados há muito tempo”.
A diretora técnica do Centro Social que tem no Centro Social Paroquial Nossa Senhora das Mercês Carvalhal Benfeito 16 utentes no Centro de Dia, recordou que “houve alguns casos em que um membro da família teve que deixar de trabalhar para tomar conta do pai ou da mãe. Nós regra geral é que vamos buscar a casa ou os filhos antes de irem trabalhar vêm aqui pô-los e ficam descansados porque nós damos a refeição, medicamentos, entre outros cuidados”, referiu.
“As pessoas estão em casa a receber alimentação, mas sabemos que não é só de comida que nós vivemos, a parte emocional é importante e o isolamento também mata”, salientou, referindo que “há utentes que ficaram mais frágeis com a pandemia”.
Por isso, Maria Trindade Pedro, defende que é preciso pensar numa reabertura dos centros de dia, obedecendo a um plano que contemple todas as regras de prevenção, higiene e segurança.
A responsável, considera que deverá haver um regresso “faseado, dando prioridade aos idosos que estão mais isolados e dependentes”. No entanto disse ao JORNAL DAS CALDAS que “até ao momento não há qualquer resposta concreta sobre quando os centros de dia vão reabrir”.

Saudades
do centro de dia

De um dia para o outro, as rotinas de Manuel Querido de 90 anos e Maria Teresa Isabel de 91 anos de idade mudaram completamente. O centro de dia que frequentavam no Carvalhal Benfeito fechou, e o casal “viu-se fechado em casa na altura do Estado de Emergência, sem poder contactar fisicamente com os familiares e tendo apenas um ao outro”.
Vivem na freguesia de Carvalhal Benfeito terra onde nasceram e criaram os seus filhos. Têm muitas saudades do centro de dia, dos colegas e das auxiliares. “É muito complicado porque estávamos habituados a ir para o centro de segunda a sexta-feira, onde eramos muitos bem tratados e recebíamos carinho”, contou, Manuel Querido.
Maria Teresa Isabel tem saudades da vertente criativa do centro onde executavam “vários trabalhos e atividades”. “Éramos todos muitos amigos e as auxiliares não passavam por nós sem dar um miminho”, salientou, revelando que “todas as semanas pergunta quando é que a instituição vai reabrir ou seja qual o dia que vamos ver uma luz ao fundo túnel?”.
Esta utente está a ter alguma dificuldade em lidar com o “facto de não saber quando vai voltar ao centro de dia. “Por vezes acho que já não vou voltar, mas depois não quero perder a esperança”, salientou.
Todos os dias da semana Manuel e Maria Teresa acordavam às 9h00 e na sua viatura própria chegavam ao centro de dia por volta das 10h00 da manhã. “Logo na entrada davam-nos um lanche, mas o que tenho mais saudade é dos amigos”, relatou Manuel Querido, acrescentando que “no passado ano foram à praia e aos carapaus à Nazaré”.
Manuel Querido sempre trabalhou na agricultura e o que o ocupa o seu tempo agora “é a pequena horta que lhe dá pepinos, tomates entre outros produtos”.
O casal tem um neto que há cinco meses teve “filhas gémeas, mas por causa da pandemia ainda não as conhece”.
“Quando é que volto para a minha casinha do dia, lá é que estou bem porque estava sempre acompanhada”, dizia, todos os dias, Maria Ferreira Quintas de 90 anos que faleceu a 3 de junho sem voltar ao centro de dia da Associação Social e Cultural Paradense – (IPSS) que frequentava há 8 anos. Como outras centenas de idosos no concelho das Caldas também esta utente viu a sua instituição encerrar em março por causa da Covid19.
A sua filha, Maria Eugénia Mendes é testemunha como a sua mãe de repente ficou “deprimida sem contactar fisicamente com as utentes e auxiliares da sua instituição”.
“Todos os dias perguntava quando é que ia regressar até que um dia acordou e perdeu a esperança de voltar”, relatou a filha da utente, acrescentando que “foi como se soubesse que ia morrer sem se despedir das colegas”.
As mudanças abruptas que o novo coronavírus trouxe às famílias estão a ser particularmente sentidas pelos mais velhos, que, enquanto grupo de risco, se viram afastados do contacto físico com os outros.
Tags:
COMENTÁRIOS
Deverá efectuar Login ou fazer o Registo (Grátis) para poder comentar esta notícia.
pub
Booking.com
Ciência & Tecnologia

A carregar, por favor aguarde.
A Carregar

    Notícias Institucionais

    A carregar, por favor aguarde.
    A Carregar