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Opinião
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Você também é migrante…e não sabe!

O migrante é aquele “que ou o que muda de país ou de região”, de acordo com o dicionário. Mas, vamos falar daqueles que são deslocados no mundo inteiro. Em Agosto de 2018, o número de deslocados estimado pela ONU é de 68,5…milhões de pessoas. Sim, pessoas! Uma delas podia ser você. Mas o que é que o espiritismo tem a ver com isto?

01-09-2018 | José Lucas


68,5 milhões de pessoas, no planeta Terra, em 2018, estão deslocadas das suas casas, voluntariamente ou por força das circunstâncias. O número tende a aumentar derivado da instabilidade política, económica, dos fenómenos atmosféricos extremos, das mudanças climáticas, das guerras, tudo fruto do egoísmo do ser humano. Os especialistas dizem que a situação vai piorar, e que a humanidade tem de se adaptar!
Dois “especialistas” em “achismo”, na mesa ao lado, de barriguinha cheia, diziam em voz perfeitamente audível: “Oh pá, os gajos que voltem para a sua terra”, referindo-se aos migrantes que tentam atravessar o Mar Mediterrâneo em busca de uma vida melhor, na Europa.
Olhei e, confesso, não senti raiva…!
Senti pena da pessoa, compaixão, entendimento.
Decerto ele não era espírita.
Decerto ele não sabia que a vida continua para além da morte, decerto ele desconhecia a “Lei de Causa e Efeito”, a reencarnação, decerto nunca sentiu na pele o que é ser refugiado, depender da caridade alheia, começar do zero.
A tristeza acerca da sua observação rapidamente se transformou em entendimento.
É normal, ele não sabe que é um ser imortal, que é um migrante que vai para o mundo espiritual e volta para a Terra, em Portugal, ou em qualquer parte do mundo, noutra reencarnação.
Afinal, o meu vizinho da mesa de esplanada desconhece que é um migrante, que se calhar já o foi mesmo aqui na Terra, em outras vidas, sofrendo perseguições, tendo de fugir, proteger-se, etc…
Em “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec, obra notável que devia ser estudada nas escolas, na disciplina de Filosofia, os Espíritos superiores referem que todos os males da humanidade radicam no egoísmo, a causa de todos os restantes defeitos do ser humano.
Ora, o egoísmo quando aliado ao desconhecimento da realidade do homem (ser espiritual, imortal) torna-se ainda mais feroz, violento, sem senso comum.
O orgulho e o egoísmo são puro veneno para o bem-estar do homem, das sociedades e do mundo.
Dizem também os bons espíritos que ao homem é concedido o livre-arbítrio, de obrar no bem ou egoisticamente, mas de acordo com as leis da natureza cada pessoa, cada sociedade, colherá inevitavelmente aquilo que semear, em pensamentos, atitudes, inacção, etc… não numa perspectiva castigadora (Deus não castiga) mas num automatismo de uma das leis de Deus, leis da natureza, a lei de causalidade (ou causa e efeito).
Fiz um exercício de imaginação… e se o que aconteceu com a central nuclear japonesa após o violento sismo e Tsunami, acontecer por exemplo na Itália, com vários vulcões activos, ou em França, Alemanha, com fuga generalizada de radiação nuclear?
Ou morremos na esplanada, envoltos no nosso orgulho e egoísmo ou tornamo-nos migrantes e fugimos quiçá para um país da América do Sul, Brasil ou outro.
Pode ser já amanhã, quando estiver a ler este artigo…
Com a doutrina dos espíritos (espiritismo ou doutrina espírita), que não é mais uma religião nem seita, mas sim uma filosofia de vida, aprendemos que somos espíritos imortais, que temos outras vidas corpóreas depois desta (reencarnação), que colheremos no mundo espiritual e na próxima existência física o que semearmos nesta vida, e que evoluímos pelo amor, pela dor ou pela relação amor-dor, dependendo das escolhas interiores de cada um.
Aprendemos que “fora da caridade não há salvação”, e que devemos fazer ao próximo aquilo que desejaríamos que nos fizessem, numa perfeita súmula dos ensinamentos de Jesus de Nazaré.
Fiquei a pensar com os meus botões… caramba, quanta divulgação destas ideias nobres está por fazer neste mundo, para o auxiliar a mudar!
Deixei o exemplar do Jornal de Espiritismo (que estava a ler) em cima da mesa, e fui-me embora, na esperança que eles pegassem no jornal e o lessem.
Somos todos migrantes na vida…e não sabemos!

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