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Zé do Pipo “é um capítulo encerrado” para esposa do artista desaparecido

A esposa do cantor Nuno Batista, o artista que fez sucesso como Zé do Pipo e desapareceu a 5 de novembro do ano passado, afirma que quer seguir em frente com a sua vida e não ficar à espera que o corpo apareça, por isso considera tratar-se de “um capítulo encerrado”, o que a levou a formatar o computador do músico, a apagar o seu perfil profissional na rede social Facebook e a tentar vender o seu carro.

30-01-2019 | Francisco Gomes

Zé do Pipo desapareceu a 5 de novembro do ano passado
Zé do Pipo desapareceu a 5 de novembro do ano passado
“Quero esquecer. É um assunto que já não tem novidades e nem espero vir a ter. Era bom que houvesse um corpo, só que não acredito nisso e nem estou à espera que isso aconteça. Não tenho expetativas, senão fico maluca e não posso ficar doente como ele ficou”, declarou Celeste Roberto.
O cantor, de 40 anos, natural das Caldas da Rainha e residente no Vau, em Óbidos, passava por uma fase depressiva, após ter sido informado pelos médicos de que teria de terminar a carreira musical por sofrer de uma doença bipolar e ter episódios hipomaníacos, agravado pela sua vida ativa em cima dos palcos. Devido ao estado de saúde tinha cancelado sete espetáculos e tinha já acertado com o seu empresário que não vestiria mais a pele de Zé do Pipo e que seria substituído, o que poderá estar na base do seu desaparecimento. Julga-se que possa ter caído numa falésia na praia do Porto da Areia Sul, em Peniche, onde o seu carro foi encontrado com a carteira, telemóvel e casaco no interior.
Na tarde de 5 de novembro tinha dito que ia à farmácia e ao banco em Óbidos, mas a mulher estranhou a demora e comunicou à GNR, alarmada com a depressão do cantor, que já tinha confessado a um psiquiatra que se poderia atirar ao mar.
“O telemóvel estava desligado, mas às 00h02 do dia 6 recebi a mensagem automática a dizer que o número estava novamente disponível”, revelou Celeste Batista, que nunca conseguiu falar com marido.
As autoridades policiais descartaram a hipótese de crime, inclinando-se para as teses de suicídio ou queda acidental. “Não havia nenhum indício de nada. Formatei o computador porque estava lento, mas antes tirei as fotos que lá estavam. Se houvesse suspeita de alguma coisa tinham vindo ver”, manifestou Celeste Roberto.
A Polícia Judiciária não tem nenhuma investigação em curso e o processo do desaparecimento está com o Ministério Público de Peniche. “Estou a aguardar. Não sei se vai ser declarada alguma coisa [morte presumida]”, confessou Celeste Roberto, que anda à procura de trabalho. Foi empregada de balcão, operadora de caixa e administrativa, para além de cantora e instrumentista. Casada há 22 anos e com dois filhos de 3 e 16 anos, atualmente é gerente de um alojamento local com o nome do cantor – “Pipo People House”.
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