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Homem acusado de homicídio e profanação de cadáver da mulher no Bombarral

O Ministério Público (MP) acusou um homem dos crimes de homicídio qualificado da mulher, profanação de cadáver e violência doméstica, em julho de 2018, no Bombarral, distrito de Leiria, segundo a acusação a que a agência Lusa teve acesso.

16-01-2019 |

Nos últimos oito anos, o arguido, de 49 anos, várias vezes discutiu e agrediu fisicamente a mulher, com quem se encontrava casado desde o ano 2000, tendo aquela recebido várias vezes assistência hospitalar, sem nunca se ter queixado à polícia.
Apesar de continuarem a viver na mesma casa, na freguesia do Carvalhal, não dormiam no mesmo quarto e o seu “relacionamento começou a deteriorar-se” face às discussões constantes, “por questões relacionadas com dinheiro, que o arguido fazia questão de gerir, e com os terrenos que aquela havia recebido por herança dos seus pais e que eram a sua principal fonte de rendimentos por estarem ambos desempregados”, refere a acusação.
As discussões e agressões ocorriam muitas vezes na presença da filha de ambos, de 16 anos.
A mulher vivia em “constantemente em sobressalto, receando pela sua integridade física e até mesmo que o arguido pudesse vir a matá-la”, confidenciando a duas amigas para a procurarem se viesse a estar desaparecida e pedindo-lhes que cuidassem da filha “caso algo de mal lhe acontecesse”.
Na noite de 10 de julho de 2018, a vítima sentiu-se maldisposta depois de ingerir um líquido, que pensava ser água, e, em vez de ir dormir com a filha como era hábito, foi deitar-se no quarto do arguido, onde esperou que aquele lhe levasse chá.
Segundo a acusação, datada de 10 de dezembro, com a gola da camisa de noite da mulher, “apertou-a com força à volta do pescoço daquela, asfixiando-a” até ela deixar de se mexer e parar de respirar, vindo a morrer por estrangulamento.
Depois, o agressor carregou o corpo até ao exterior da habitação, colocou-o na caixa aberta da sua carrinha e transportou-o até um pinhal, a três quilómetros de casa, já no concelho do Cadaval, distrito de Lisboa, onde o abandonou.Depois, regressou a casa e foi dormir.
No dia seguinte, a mulher foi procurada pela filha e pelas amigas, enquanto o arguido fez a sua vida normal, sem se preocupar com o seu alegado desaparecimento e, só depois da insistência destas, dirigiu-se à GNR do Bombarral para apresentar queixa.
No dia 12, o corpo foi encontrado no mesmo local por um popular, que alertou as autoridades, enquanto o arguido veio a ser detido por ser o principal suspeito.
O arguido, que aguarda julgamento em prisão preventiva no Estabelecimento Prisional de Caxias, está acusado dos crimes de violência doméstica, homicídio qualificado e profanação de cadáver.
O julgamento vai realizar-se no Tribunal da Comarca de Leiria, em data a agendar.

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