Login  Recuperar
Password
  16 de Agosto de 2018
Estão utilizadores online Existem actualmente entidades no directório

Pode fazer o registo (grátis) do seu mail pessoal/ profissional e ter acesso privado, password e serviços personalizados, nos sites e redes sociais dos jornais. Terá uma assinatura digital de Grupo (gratuita), mas personalizada. Pretende registar-se?

Registar-se com o seu email pessoal/ profissional

(aguarde 5)
Siga a nossa página Google Plus Siga a nossa página Facebook Siga-nos no Twitter Siga-nos no Picasa Siga-nos no YouTube Dispositivos móveis Assine a edição impressa
Regional
Imprimir em PDF    Imprimir    Enviar por email   Diminuir fonte   Aumentar fonte

Apesar das ameaças

Paisagem Protegida da Serra de Montejunto conserva património natural

Na Serra de Montejunto, sempre que há fogos, uma parte do pinhal arde e já não regenera.

01-08-2018 |

Recriação histórica no complexo fabril da Real Fábrica do Gelo, na Serra de Montejunto
Recriação histórica no complexo fabril da Real Fábrica do Gelo, na Serra de Montejunto
Depois do grande incêndio de 2003, a área de pinheiro manso, que depois da intervenção dos Serviços Florestais cobria uma grande parte da Serra, ficou reduzida a 110 hectares, e as resinosas no seu conjunto já ocupam apenas 297 hectares. E se o pinheiro manso não regenera, as matas de pinheiro bravo, sem a gestão ativa dos Serviços Florestais que controlavam os matos, sem pastoreio, e face ao abandono pelos herdeiros dos antigos proprietários, têm-se revelado como uma fonte de combustível que alimenta incêndios incontroláveis”, alerta a Associação para o Estudo e Defesa do Ambiente do Concelho de Alenquer (Alambi).
A área de folhosas é ainda mais escassa. Carvalhos, sobreiros e castanheiros ocupam uma área de apenas 63 hectares, que correspondem a uns escassos 1,2% da Paisagem Protegida. Os matagais autóctones ocupam 2000 hectares, que correspondem a cerca de 40% da Serra. Os eucaliptos e outras exóticas ocupam mais de 900 hectares.
“Apesar de muito empobrecida de florestas nativas e de estar infestadas de árvores exóticas, a existência de uma grande área de terrenos com fraca pressão humana é inestimável para a conservação da vida selvagem”, sublinha a Alambi.
Na Serra de Montejunto foi identificada a ocorrência de pelo menos 115 espécies de aves, de entre as quais o pica-pau verde, o melro-azul, a gralha-de-bico-vermelho, o corvo, o peneireiro ou a águia de asa-redonda. Ocorrem três espécies de grande relevância, todas elas em vias de extinção: o andorinhão real, a águia de bonelli, e o bufo-real, o superpredador noturno da pirâmide ecológica da Serra. Entre os mamíferos contam-se o gato-bravo, a geneta, o texugo, e, sobretudo, oito espécies cavernícolas de quirópteros (morcegos) das 24 espécies existentes em Portugal Continental, uma das maiores riquezas faunísticas de Montejunto, que esteve na base da sua inclusão na rede Natura 2000, um estatuto de proteção europeu.
Existem também répteis como o sardão, a cobra rateira, a cobra ferradura, e anfíbios como o sapo-comum, a salamandra de pintas e o tritão-marmorado.
Há 19 anos, foi criada a Paisagem Protegida da Serra de Montejunto, o que constitui mais um reconhecimento da importância deste sítio para a conservação do património natural. O aniversário foi assinalado no fim de semana de 21 e 22 de julho, através de um conjunto de atividades promovidas pela AMAC – Associação de Municípios de Alenquer e do Cadaval. Mercadito de produtos locais, atuações musicais, atividades lúdicas e uma recriação histórica constituíram o programa festivo.
No dia 21 realizou-se a simbólica caminhada “Ver o Tejo e o Mar”, entre o Centro de Interpretação Ambiental (quinta da serra, Cadaval), sede oficial da AMAC, e Vila Verde dos Francos (Alenquer), que juntou cerca de três dezenas de participantes. A atividade pretendeu fazer a ligação entre os dois municípios vizinhos, convidando a usufruir da beleza natural do caminho.
No dia 22, prosseguiram as comemorações, tendo a jornada contado com as presenças oficiais de Paulo Franco, presidente da AMAC e vereador do Município de Alenquer, e de Dinis Duarte, vice-presidente da AMAC e vereador do Município do Cadaval. Contou ainda com a presença da presidente da Junta da União de Freguesias de Lamas e Cercal, Amélia Silva, e da presidente da Junta de Freguesia de Vila Verde dos Francos, Filipa Martinho.
Paulo Franco, no seu discurso de abertura do dia festivo, manifestou grande satisfação na comemoração de mais um aniversário da Paisagem Protegida da Serra de Montejunto, numa altura em que, tal como adiantou, também a AMAC caminha para o terceiro ano de existência.
“O programa da iniciativa que nós estamos a realizar marca também o objetivo que a AMAC tem aqui para a Paisagem Protegida”, referiu. “As paisagens protegidas são um património de bastante significância para os municípios e que devem ser tratadas e valorizadas”, defendeu.
“Trabalhar o património natural da serra do ponto de vista do desenvolvimento económico local” é um dos focos da estratégia da AMAC, atestado pelo “mercadito de produtos” instalado para a ocasião e que juntou cerca de uma dúzia de expositores de ambos os concelhos.
O presidente da AMAC destacou, ainda, a valorização e divulgação do património histórico (sem descurar a vertente ambiental), e salientou a visita à Real Fábrica do Gelo com uma recriação histórica concebida e realizada pela designada “prata da casa”, em particular pelos colaboradores da referida associação de municípios, entre outros participantes.
O dia festivo, decorrido na zona do parque de merendas e suas imediações, incluiu, ainda, atuação da Banda da Associação Filarmónica e Cultural do Cadaval e do Rancho Folclórico da Associação Recreativa da Pocariça (Alenquer), para além de parede de escalada e tiro com arco, para quem quis experimentar.

Oficina do “pão de bolota”

Ainda no período da manhã, Alexandra Azevedo, do Vilar, dinamizou, enquanto representante da associação ambientalista Quercus, uma pequena oficina sobre pão de bolota, com posterior prova do mesmo, com queijo e mel, a par dos vinhos presentes na mostra de produtos – Fazendas da Estremadura (Natural.PT) e Empatia (Adega Cooperativa da Labrugeira).
Alexandra Azevedo realçou, perante uma audiência interessada, que a bolota (existente em árvores autóctones da serra e não só) está atualmente reconhecida enquanto superalimento, designadamente pelas suas propriedades em prol da saúde, tais como as de agente anticancerígeno, prebiótico e probiótico. De seguida explanou a confeção do pão de bolota, a que é adicionada farinha do trigo tradicional “barbela”.
A representante da Quercus e do "Movimento Pró-Informação – Cidadania e Ambiente" defendeu mesmo a valorização da bolota (tal como do trigo tradicional) como produto ancestral com grande tradição de consumo na Península Ibérica, e encarando-o como “novo paradigma para a floresta e para a nossa alimentação”. “A bolota, dentro da sua casca, pode conservar-se vários anos sem perder propriedades nutricionais”, acrescentou a porta-voz.
A também médica veterinária, e apaixonada pela natureza e pelos alimentos silvestres, ressalvou, na ocasião, que Portugal importa mais de 90 por cento do trigo que consome. “Basta que haja uma crise de produção de alimentos, ou então greve de camionistas que dure mais do que sete dias, e teremos as prateleiras dos supermercados vazias de tudo, e não será só de pão”, explica. Daí defender o recurso à designada “natureza comestível”, explanada em livros por si publicados e no respetivo canal de “YouTube” com o mesmo nome.
Tags:
COMENTÁRIOS
Deverá efectuar Login ou fazer o Registo (Grátis) para poder comentar esta notícia.
pub
Booking.com
Ciência & Tecnologia

A carregar, por favor aguarde.
A Carregar

    Notícias Institucionais

    A carregar, por favor aguarde.
    A Carregar