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Rede Social quer tirar os 17 sem-abrigo identificados nas ruas caldenses

O Núcleo Executivo da Rede Social das Caldas da Rainha tem sinalizados 17 casos de pessoas sem-abrigo no concelho e tem vários projetos para os tirar da rua e reintegrá-las na sociedade, disse Maria da Conceição, vereadora da Ação Social da Câmara das Caldas e presidente do Conselho Local de Ação Social das Caldas. O tema dos sem-abrigo está em cima da mesa e foi no passado dia 19, na Biblioteca Municipal, durante uma sessão de trabalho sobre esta problemática, organizada pela Rede Social das Caldas, em parceria com o núcleo de Leiria da Rede Europeia Anti-Pobreza, que a autarca anunciou as propostas futuras para conseguir realojar os sem-abrigo que vivem nas ruas da cidade.

27-11-2019 | Marlene Sousa

Sessão de trabalho sobre os sem-abrigo organizada pela Rede Social das Caldas, em parceria com o núcleo de Leiria da Rede Europeia Anti-Pobreza
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Sessão de trabalho sobre os sem-abrigo organizada pela Rede Social das Caldas, em parceria com o núcleo de Leiria da Rede Europeia Anti-Pobreza

Uma das principais apostas da autarquia é a requalificação de uma casa que é da Câmara, para criar uma habitação de transição, totalmente equipada, onde os sem-abrigo poderão reaprender a viver sob um teto. “Neste caso, o sem-abrigo que vive na rua é desafiado a aceitar viver numa casa e, caso o aceite, há pessoas ou associações que vão acompanhar o seu caso particular e desenvolver com ele um projeto”, explicou a autarca. 

A estratégia é tentar “reeducá-los a viver dentro de uma casa com um acompanhamento técnico especializado diário, com tarefas tão simples como escovar os dentes e dormir numa cama”, adiantou. 

Em janeiro de 2020 a Santa Casa da Misericórdia das Caldas da Rainha (SCMCR) vai igualmente instalar no antigo edifício do ex-Ramalho Ortigão, onde funciona o Centro de Recursos Comunitários, a valência do projeto Contrato Local de Desenvolvimento Social - CLDS 4G (emprego e formação). “O objetivo é a autarquia apoiar a SCMCR neste programa e adaptar no Centro de Recursos um espaço de lavandaria e um balneário para que os sem-abrigo possam tratar da roupa e fazer a sua higiene pessoal”, adiantou Maria da Conceição.  O intuito é que este projeto no futuro funcione nas instalações novas da SCMCR na Rotunda da Rainha, junto ao atual edifício da SCMCR, depois das obras de remodelação.  

Outro projeto do Município das Caldas para ajudar os sem-abrigo, que tem a parceria do Dar e Receber do Banco Alimentar do Oeste, é a abertura de uma mercearia social com produtos não alimentares novos. “Cada família de acordo com o seu agregado familiar terá um orçamento mensal simbólico com que poderá adquirir na mereceria social calçado, equipamento escolar, vestuário, produtos de higiene, detergentes, entre outros”, anunciou a vereadora.

“Em Caldas da Rainha há 17 indivíduos em situação de sem-abrigo, de acordo com a mais recente contagem, que vivem sem-teto nas ruas. Os restantes, dado ao tempo se ter agravado, temos a situação de estarem numa pensão paga através do Fundo de Emergência Social da autarquia, mas que, na verdade, não têm casa própria”, salientou Maria da Conceição, acrescentando que também serve “para que nós possamos controlar onde é que essa pessoa está e que aceite ser encaminhada”. 

As pessoas que vivem nas ruas das Caldas são sobretudo do sexo masculino, mas existem também algumas mulheres. 

A maioria sofre de patologias mentais ou está ligada a consumos de drogas e álcool. Muitos são arrumadores de carros e alguns são pensionistas e beneficiários do Rendimento Social de Inserção. Não é habitual das Caldas verem-se porque pernoitam escondidos, em espaços abandonados, sem quaisquer condições. 

A primeira fase do projeto passa por identificar as pessoas sem-abrigo, onde as técnicas da rede social em parceria com a Associação Viagem de Volta e as forças de segurança fazem giros de rua de carácter quinzenal aos parques de estacionamento, prédios e edifícios devolutos ou inacabados. “Depois é-lhes proposto um tipo de intervenção mais adequado de acordo com tipo de problemática com encaminhamento para alimentação, saúde, emprego, formação, institucionalização”, referiu a vereadora. 

“Uma grande dificuldade é que a pessoa aceda a ir às consultas e faça exames médicos e depois aceitar o tratamento, porque antes que os sem-abrigo possam ser encaminhados para instituições têm que fazer a desintoxicação”, adiantou a autarca, salientando que o foco são as pessoas, que terão sempre uma palavra em qualquer decisão. 

Durante a sessão, a diretora Geral da Associação para o Desenvolvimento local de Base Comunitária de Lisboa, Maria José Domingos, apresentou a Estratégia Nacional para a Integração das pessoas em situação de sem-abrigo.

Na rede social das Caldas, no plano de desenvolvimento 2015/2020 no eixo prioritário da saúde e comportamentos aditivos, existe um grupo de trabalho composto pela Câmara Municipal, Centro Especial Rainha D. Leonor, forças de segurança, Centro Distrital de Leiria, Instituto da Segurança Social, Centro Hospitalar do Oeste, ACES Oeste Norte, Juntas e Uniões de Freguesias e Associação Viagem de Volta 

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