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Escolhas do Editor, Sociedade, Caldas da Rainha
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Taxa de mortalidade por suicídio mais elevada na região do que a média nacional

Os concelhos abrangidos pelo Agrupamento de Centros de Saúde (ACeS) Oeste Norte têm uma taxa de mortalidade por suicídio mais elevada que a média nacional. No âmbito do Dia Mundial da Prevenção do Suicídio, que se assinalou no passado dia 10, a equipa de Saúde Mental  da Unidade de Cuidados à Comunidade de Caldas da Rainha (UCC do ACeS Oeste Norte) organizou uma sessão com o intuito de desmistificar o tema. “Falar sobre o suicídio não aumenta o risco. Muito pelo contrário, falar com alguém sobre o assunto pode diminuir a angústia e a tensão que os pensamentos suicidas trazem”, disse José Carlos Gomes, enfermeiro especialista em saúde mental e psiquiatria e professor coordenador da Escola Superior de Saúde de Leiria, que foi o orador da iniciativa. O enfermeiro que defende a promoção da saúde mental e estilos de vida saudáveis alertou para os sinais a que devemos estar atentos para prevenir um problema que “vitimou mais de 1000 pessoas no ano passado, em Portugal”.

12-09-2018 | Marlene Sousa

O especialista em saúde mental, José Carlos Gomes
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O especialista em saúde mental, José Carlos Gomes
Entre 2012 e 2013 a taxa de mortalidade por suicídio na população dos concelhos de Alcobaça, Bombarral, Caldas da Rainha, Nazaré, Óbidos e Peniche, abrangidos pelo Agrupamento de Centros de Saúde (ACeS) Oeste Norte foi de 19,1%, sendo mais elevada nos homens (29,1%) do que nas mulheres (7,5%).
A área da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) apresenta uma taxa de mortalidade por suicido de 11,2% e a do país é de 10,3%.
Já a taxa de mortalidade por suicídio em indivíduos com menos de 75 anos é de 13,3% no ACeS Oeste Norte, 8,3% na ARSLVT e 7,7% a nível nacional.
Há assim uma taxa de mortalidade por suicídio mais elevada na região do que a média nacional.
Foram dados revelados pela diretora executiva do ACeS Oeste Norte, Ana Pisco, numa sessão que decorreu no passado dia 10 no auditório da Câmara das Caldas sobre o tema “O Suicídio e os seus Mitos - Uma intervenção Comunitária”, organizada pela Equipa de Saúde Mental da UCC do ACeS Oeste Norte, que assinalou o Dia Mundial da Prevenção do Suicídio.
A directora executiva do ACeS Oeste Norte partilhou a preocupação em relação à elevada taxa de suicídio na região, salientando que “apesar de atualmente estar a diminuir, começa a ser mais frequente na idade da adolescência, onde é mais difícil intervir”.
Para inverter estes dados, o ACeS Oeste Norte tem o tema do suicídio na sua área de intervenção para os próximos três anos, apostando sobretudo na prevenção. “É importante desmistificar e intervir nesta causa de morte”, salientou Ana Pisco.
A responsável revelou que a taxa a nível nacional tem baixado e na região também, de qualquer forma está “preocupada com o crescimento de comportamentos suicidas nos adolescentes”, referindo que é preciso perceber “qual os motivos e a equipa da UCC  está a distribuir folhetos e a desenvolver mais estratégias e esperamos com a criação do Serviço de Saúde Mental no Centro Hospitalar do Oeste e com a continuação do nosso trabalho em termos de psicólogos e assistentes sociais possamos desenvolver em conjunto com outros organismos uma nova estratégia”.
Segundo a diretora executiva do ACeS Oeste Norte, “os jovens estão muito sozinhos, e refugiam-se muito em consumos de substâncias menos lícitas e isso pode arrastar para outras situações”. Para esta responsável, “está na altura de começar a investir no suporte e apoio aos adolescentes”.
Quanto aos comportamentos suicidários nos homens e mulheres acima dos 65 anos, Ana Pisco revelou que é preciso combater “a solidão e isolamento e criar mecanismos, por exemplo com a GNR ou a Universidade Sénior”.
“Embora esteja a afetar cada vez mais os adolescentes, este comportamento é muito frequente em homens e mulheres acima dos 65 anos, por motivos diversos, como depressão, solidão ou problemas de saúde mental”, apontou a vereadora Maria da Conceição, da Câmara das Caldas. “É uma área que nos preocupa de uma forma muito especial porque estão diariamente a surgir situações ligadas à problemática da saúde mental e infelizmente as respostas não são tantas como nós gostaríamos, e muitas vezes o desenlace acaba nessa tragédia de alguém atentar contra a sua própria vida”, adiantou Maria da Conceição, que defendeu o trabalho em rede para “minimizar estes problemas”.
Nuno Cotralha, orador deste debate, referiu que tem aumentado o número de profissionais do ACeS Oeste Norte que tem uma intervenção direta nas questões da saúde mental.

Mitos e verdades sobre o suicídio

Uma pessoa em cada 40 segundos comete suicídio. É esta a estimativa que a Organização Mundial de Saúde faz para uma realidade que, só em 2017, vitimou cerca de mil pessoas em Portugal, segundo dados da Direção-Geral de Saúde.
Segundo o especialista em saúde mental, José Carlos Gomes, por cada suicídio estima-se que ocorram entre 20 a 30 comportamentos suicidários protagonizados maioritariamente por jovens do género feminino de forma impulsiva e, na maior parte dos casos, sem doença psiquiátrica diagnosticada. Contudo, o suicida em Portugal é principalmente homem, com idade superior a 55 anos, com história de isolamento e, na maior parte das situações, com doença mental diagnosticada (principalmente depressão).
O orador falou de alguns mitos sobre o suicídio que precisam ser derrubados. Como por exemplo, não é verdade que “as pessoas que falam sobre o suicídio não farão mal a si próprios, pois querem chamar a atenção”. “Devemos tomar todas as precauções necessárias sempre que confrontadas com uma pessoa que fale de intenção ou de plano suicida.
De acordo com o enfermeiro, também é falso que quando um indivíduo mostra sinais de melhoria ou sobrevive a uma tentativa de suicídio está fora de perigo, porque na verdade “um dos períodos mais perigosos é imediatamente depois da crise, ou quando a pessoa está no hospital, na sequência de uma tentativa. A semana que se segue à alta do hospital é um período durante o qual a pessoa está particularmente fragilizada e em perigo de se fazer mal”.
José Carlos Gomes revelou que também é falso que os indivíduos que tentam ou cometem suicídio têm sempre alguma perturbação mental. “Os comportamentos suicidas têm sido associados à depressão, abuso de substâncias, esquizofrenia e outras perturbações mentais e aos comportamentos destrutivos e agressivos”. No entanto, sublinhou, a “proporção relativa destas perturbações varia de lugar e há casos em que nenhuma perturbação mental é detetada”.
Para este especialista em saúde mental, “suicídio é um problema complexo para o qual não existe uma única causa ou uma única razão. Resulta de uma complexa interação de fatores biológicos, genéticos, psicológicos, sociais, culturais e ambientais. É difícil explicar porque algumas pessoas decidem cometer suicídio enquanto outras em situação similar ou pior não o fazem. Contudo, a maioria dos suicídios pode ser prevenida”.
O enfermeiro considera que a intervenção deste problema deve ser abrangente e sólida, começando a atuação ao nível da “prevenção primária”. “Uma sociedade saudável com a promoção do bem-estar não se consegue com um bom hospital, a responsabilidade não é só do Serviço Nacional de Saúde, tem que ser um trabalho em equipa, com escolas, autarquias, juntas, empresas e instituições”, afirmou o orador.
A sessão motivou um debate interessante à volta da questão. Vítor Marques, presidente da União de Freguesias de Nossa Senhora do Pópulo, Couto e São Gregório, também é da opinião que a prevenção é “fundamental”, sugerindo mais ações de “sensibilização para o público em geral”.
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