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Escolhas do Editor, Caldas da Rainha, Política
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Bloco de Esquerda promoveu conferência sobre Mobilidade e Transportes Públicos

Transporte ferroviário vive “a pior crise que alguma vez existiu no país”

A modernização e eletrificação da linha ferroviária do Oeste, entre Meleças e Caldas da Rainha, bem como as “décadas de desinvestimento” e a degradação continuada do material circulante e da infraestrutura ferroviária foram algumas das problemáticas referidas pelos oradores, durante a conferência “Mobilidade e Transportes Públicos”, promovida pelo Bloco de Esquerda, relativamente à situação da ferrovia em Portugal, que “vive neste momento a pior crise que alguma vez existiu no nosso país”. Esta situação, segundo o deputado do Bloco de Esquerda, Heitor de Sousa, deve-se à ausência de uma estratégia coerente de promoção e defesa do transporte ferroviário.

01-11-2018 | Mariana Martinho

O primeiro painel falou sobre o transporte ferroviário
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O primeiro painel falou sobre o transporte ferroviário

A conferência, que foi promovida no passado sábado, pelo Bloco de Esquerda, na sala da União de Freguesias de Nossa Senhora do Pópulo, Coto e S. Gregório, contou com a presença de vários oradores.
Do primeiro painel constou o presidente do SFRCI - Sindicato Ferroviário da Revisão Comercial Itinerante, Luis Bravo, que começou por referir que “o setor ferroviário nos últimos anos é caraterizado pelo completo abandono”, como é o caso da Linha do Oeste, que também tem estado sobre a constante “ameaça de encerramento ora parcial, ora total dos serviços”. Recordou como exemplo a rutura de serviços da CP- Comboios de Portugal durante a época alta, em que se registaram “falhas graves” nos serviços.
“Pode-se dizer que vive-se o caos e o desespero total dos ferroviários e dos utentes, que nem os poucos comboios que a CP consegue colocar em horário conseguem servir as pessoas”, sublinhou Luis Bravo.
Associado a isso estão as “décadas de desinvestimento” e a ausência da eletrificação da linha ferroviária do Oeste, que colocaria “imediatamente material circulante muito mais moderno e por sua vez o serviço iria melhorar significativamente, sem falar das poupanças energéticas”. “Não havendo eletrificação, não há modernização do material circulante a diesel”, afirmou o presidente do sindicato.
O responsável também apontou o facto de o governo ter alugado à operadora espanhola alguns comboios que “já estavam fora do ativo”. Essas locomotivas alugadas, que são vinte, têm o reforço de mais quatro a diesel que só devem chegar no próximo ano, porque precisam de grandes reparações.
Para Luís Bravo, estes quatro comboios “não chegam para corresponder às necessidades atuais da empresa”, mas vão permitir resolver os problemas em vários serviços regionais, até chegarem as novas composições para o serviço regional”.
“Vivemos uma situação de rutura de serviços e a Linha do Oeste está sempre em causa”, alertou o presidente do SFRCI.
Aproveitou a ocasião para recordar o acordo, assinado em setembro de 2017, entre a Secretaria de Estado das Infraestruturas, a CP e o sindicato, a propósito do "necessário investimento nesta empresa" a dois níveis: reforço do quadro de pessoal e aquisição de material circulante. Além disso previa o aluguer de mais quatro locomotoras adicionais a Espanha, mas esse “acordo chegou às Finanças e ficou na gaveta”.
Os conhecidos problemas e a urgência de investimento público fazem com que a “CP não cumpra plenamente a sua função", que é "prestar um serviço público essencial à coesão social e territorial do país".

Desinvestimento na ferrovia tem sido “pornográfico”

Outro dos oradores convidados foi Jorge Ferreira, trabalhador ferroviário há 22 anos, que começou por referir que “Portugal atravessa neste momento a pior crise ferroviária, que alguma vez existiu no nosso país”. Essa crise, que neste momento á atinge a Linha do Norte, deve-se ao facto da “CP estar a beira do colapso” e ainda ao desinvestimento na ferrovia, que tem sido “pornográfico”
Nesse sentido alertou para necessidade de exigir que o material circulante, “que é mais que suficiente para assegurar os serviços das nossas populações”, seja reparado e colocado nas oficinas.
“Neste momento não temos esse material ao dispor das rotações diárias, porque está encostado no Entroncamento ou no Algueirão à espera que haja uma oficina que tenha capacidade para os poder reparar”, explicou Jorge Ferreira.
Estes problemas, segundo o trabalhador ferroviário, deve-se ao facto do “governo não ter aproveitado em 2016, os 100 mil euros disponibilizados por Bruxelas, no sentido de renovar as frotas ferroviárias dos países europeus”.
Na opinião de Jorge Ferreira, “futuramente vamos ter um setor ferroviário desregulado e com trabalhadores precários”.
Relativamente à Linha do Oeste considerou “altamente rentável se for devidamente cuidada”, com reformulação dos horários. “Enquanto isso não acontecer, com ou sem eletrificação tem sempre uma faca ao pescoço”, sublinhou.

“Este governo continua a não corrigir o problema de forma estratégica”

A desarticulação de horários, ausência de material circulante e as políticas/estratégias implementadas no sistema ferroviário, segundo o deputado do Bloco de Esquerda, Heitor de Sousa “têm sido feitas à medida da abertura dos privados”, com vista à liberalização do mercado ferroviário europeu, que se inicia em 2019 e tem um período de adaptação até março de 2020.
Estas indicações da União Europeia, que vão permitir que qualquer operador estrangeiro possa atuar em Portugal e concorrer diretamente com a CP, vão ser um “erro gravíssimo”. “Infelizmente essas políticas podiam ter sido corrigidas por este governo, mas não foram”, referiu o bloquista, adiantando que “o governo continua a não corrigir o problema de forma estratégica”, sendo “dominado pela política do anterior governo PSD/CDS”.
Heitor de Sousa recordou ainda que o “governo não aceitou o plano apresentado pela anterior administração da CP”, que previa a compra de dez unidades para o longo curso, para reforçar a oferta hoje assegurada pelos Alfa Pendulares. Este plano previa ainda a compra de 35 composições, com um investimento de 330 milhões de euros.
Nesse sentido, “vamos chegar em 2023 com apenas dez novos alfas pendulares, que vão continuar a ficar sobrelotados”.
O problema de ausência de uma estratégia coerente, de promoção e defesa do transporte ferroviário, segundo o deputado do BE continua a ser “uma infeliz caraterística da política de transportes em Portugal”. Aliás destacou que a “Linha do Oeste é uma expressão clara dessa conceção estratégica do governo, que infelizmente não muda”.
Nesta área dos transportes, o Bloco também propôs na Assembleia da República a introdução de algumas alterações ao projeto que se encontra em discussão pública, como a “necessidade de aumentar os troços de correção de um traçado que continua a ser bastante sinuoso, construir mais variantes ou duplicar a via em mais pontos face ao que está considerado, o que permitirá aumentar as zonas de cruzamento, reduzir os pontos potenciais de conflito ao longo da linha e incrementar a velocidade”. O objetivo seria sempre o de tornar possível “atingir um patamar de qualidade de serviço e de velocidade média que tornasse o comboio efetivamente mais atrativo e mais rápido face ao modo rodoviário”.

Hidrogénio, “uma alternativa para linhas não eletrificadas”

O hidrogénio integra a lista de fontes de energia limpa, renovável e alternativa para a área da mobilidade e transportes, podendo ser mesmo “a solução extremamente operacional” às reservas sumidas dos combustíveis fosseis.
Do segundo painel fez parte o presidente da Associação Portuguesa para a Promoção do Hidrogénio, João Campos Rodrigues, que sublinhou que “este objetivo não é utópico e pode estar ao nosso alcance, desde que se politicamente quisermos”.
Esta energia ilimitada, que tem sido utilizada noutros países do Norte da Europa, onde alguns autocarros e comboios já são movidos a hidrogénio, poderá ser “uma solução alternativa para linhas não eletrificadas, como uma forma de eliminar as composições a gasóleo”. Além disso iria permitir que o governo poupasse algum dinheiro na eletrificação das linhas regionais.
“A solução seria adaptar as locomotivas a diesel, com pilhas de hidrogénio”, sublinhou Campos Rodrigues, adiantando que “esta situação devia de ser considerada para o caso da Linha do Oeste”.
A ideia, segundo o responsável, passava por ter um projeto piloto, que resolveria o problema de forma rápida e ainda contribuiria para a sustentabilidade da região.
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