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Sociedade, Caldas da Rainha
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Centro Hospitalar aceita dar gestão do Parque e da Mata à Câmara das Caldas

28-11-2011 |

Centro Hospitalar aceita dar gestão do Parque e da Mata à Câmara das Caldas
Centro Hospitalar aceita dar gestão do Parque e da Mata à Câmara das Caldas
A Câmara Municipal das Caldas da Rainha (CMCR) pode ficar com a gestão do Parque D. Carlos I, porque o actual Conselho de Administração (CA) do Centro Hospitalar Oeste Norte (CHON) aceita. O presidente do CA do CHON, entrevistada pelo JORNAL DAS CALDAS, considera que está na altura das pessoas deixarem de falar do passado e comentarem o presente e futuro, porque não existem quaisquer problemas entre as duas instituições. Carlos Sá revelou que está a baixar o passivo de 50 milhões de euros dos quatro hospitais e assegurou que não vão ser encerradas as urgências em Peniche ou Alcobaça, a menos que a tutela assim o entenda. Outra das novidades é a suspensão do projecto de ampliação do Hospital das Caldas, o que agudiza os cuidados de saúde, mas que Carlos Sá considera que se os cuidados primários nas extensões de saúde funcionassem bem, poupavam-se milhares de euros em recursos e os utentes teriam maior qualidade no serviço prestado.   Carlos Barroso   JORNAL das CALDAS: Qual é o passivo do CHON? Carlos Sá: Está entre os 40 a 60 milhões de euros.   J. C.: Desde que entrou conseguiu diminuir essa dívida? C. S.: Este ano conseguimos reduzir em 4,5 milhões os custos operacionais do CHON. São cerca de oito por cento em relação ao ano passado. Havia uma tendência crescente naquilo que são os custos operacionais do Centro Hospitalar, desde 2008. Em 2008 ainda não havia CHON e os custos de exploração dos três hospitais eram cerca de 53 milhões e verificou-se com a criação do CHON um aumento gradual dos custos de exploração, tendo atingido em 2009 cerca de 64 milhões. Quando chegámos, em Agosto de 2010, a tendência era crescente. Implementámos algumas medidas, o que nos permitiu terminar o ano em linha com o ano anterior, ou seja, 64 milhões, e este ano prevemos que o orçamento económico do CHON ronde os 59,5 milhões de euros. Diminui-se e altera-se a tendência crescente das despesas.   J. C.: E como fizeram isso? C. S.: Essencialmente gerindo. Estamos a racionalizar os recursos que temos, quer financeiros e humanos, e procuramos melhorias e aumentos de eficiência no dia a dia do funcionamento do hospital.   J. C.: Mas o hospital das Caldas está sempre em obras. Tem vários espaços que precisam de manutenção. Como é que consegue gerir. Deixou de fazer obras? Está a despedir pessoal? C. S.: Basicamente racionalizámos. Havia alguma margem para trabalhar. Havia algum desperdício no Centro Hospitalar. A centralização de alguns serviços ou a identificação de uma prioridade de constituir e tornar um Centro Hospitalar autónomo em algumas áreas, é uma medida de poupança. Tínhamos três laboratórios de análises clínicas. Em Alcobaça nem tínhamos laboratório, contratávamos tudo fora. Isso trazia para o CHON um custo anual de 600 mil euros. O facto de centralizarmos tudo o que é patologia clínica no laboratório do Hospital das Caldas, permite-nos reduzir em muito esse montante. Tudo o que era área de imagiologia, as TAC e as ressonâncias magnéticas eram feitas fora. Tomámos a decisão de avançar com um concurso de aquisição de um TAC, dois ecógrafos e a reformulação e melhoria de todo o equipamento de radiologia. Esta medida que vai ser implementada até ao final do ano, funcionando em rede, vai permitir poupar cerca de 600 a 700 mil euros por ano. São medidas de racionalização que permitem aumentar o grau de autonomia do CHON face ao exterior, com redução significativa dos custos.   J. C.: E há mais zonas onde pode cortar? C. S.: Há. A centralização dos serviços de apoio que fizemos durante este ano. Os serviços de aprovisionamento, de recursos humanos e outros que estavam muito dispersos pelas três unidades e nós estamos a centralizar essencialmente nas Caldas, deixando apenas uma ou duas pessoas em cada uma das unidades.   J.C.: Mas dispensaram trabalhadores? C. S.: Há essa possibilidade e quando necessário isso já aconteceu. Chegamos à conclusão de haver pessoas a mais para as necessidades do hospital. Temos dispensado algumas pessoas, que no âmbito do processo de racionalização e que não tinham vínculo ao Estado, estavam contratadas através de empresas. Foram vistas como excessos. Procurámos encontrar áreas onde faltavam pessoas com o perfil e as competências destas, e se fosse esse o caso, deslocá-las para esses serviços.   J. C.: Disse que concentrou as zonas de laboratório. Mas há análises que são necessárias fazer nas urgências de Alcobaça e Peniche. Os doentes nesses casos são encaminhados para Caldas? C. S.: Não. Nós adquirimos alguns equipamentos para a realização de parâmetros que são obrigatórios e que existem nessas urgências. Aquilo que por Lei tem de existir, está salvaguardado. Alguma análise mais específica que seja preciso fazer, aí é feita a colheita ou transporte do doente ou da amostra para as Caldas.   J. C.: Exactamente pela racionalização de recursos, vem sempre à conversa o possível encerramento das urgências de Alcobaça e Peniche. Com esse fecho o CHON poupava muito dinheiro? C. S.: Há um grupo de trabalho designado pelo Ministério da Saúde e que está a trabalhar no mapa nacional de urgências. Nós aguardamos serenamente as conclusões desse trabalho e quando forem públicas faremos os comentários que entendemos necessários. Até lá o CHON funciona com a disponibilidade das urgências.   J. C.: Há também a possibilidade de integração do pessoal da SIV de Peniche e da VMER das Caldas da Rainha nas equipas das urgências desses hospitais. Quando é que o CHON vai implementar esse despacho? C. S.: Nós vamos iniciar contactos com a VMER no sentido de ver qual é a melhor forma de implementar algumas medidas que estão expressas na nota legislativa. Não haverá custos, porque suportamos os encargos com a VMER. Haverá o contrário. A integração da VMER nos moldes que vão ser definidos nas urgências terá alguma racionalização de custos.   J. C.: O que vai acontecer ao edifício que serve de base da VMER? C. S.: Ainda não discutimos todos os detalhes, mas à partida não vejo que o espaço físico onde a VMER está deixe de ser utilizado pela VMER. A VMER precisa de ter um espaço para as suas coisas.   J. C.: Há especialidades no Hospital que não funcionam porque os concursos abertos ficam desertos e porque os médicos abandonam o Serviço Nacional de Saúde para o privado? C. S.: Nós solicitámos ao Ministério da Saúde a abertura de concursos. Uma coisa é abertura de concurso e outra é os médicos concorrerem ou não.   J. C.: Então o que aconteceu no caso da reumatologia, que deixou de funcionar no Hospital Termal? C. S.: Vai ser aberto um concurso para que qualquer médico reumatologista possa vir a integrar o quadro de pessoal do CHON. Não foi decisão da administração que a especialidade de reumatologia deixasse de funcionar no Hospital Termal. Foi uma decisão da médica que tinha essa área, que tomou uma decisão da sua vida profissional e nós nada podemos fazer.   J. C.: Mas num concurso público o médico ganha menos do que vindo pelas empresas? C. S.: Qualquer médico ganha pelo concurso, aquilo que qualquer médico ganha em qualquer hospital deste país. Ganha em função da tabela pública. Os médicos no sistema do Serviço Nacional de Saúde (SNS) ganha aquilo que está na Lei, que contempla categoria e escalão. Outra coisa é quando há necessidade de mais médicos e esses é que serão contratados à hora para prestar serviço. Isso acontece porque não nos é possível, por sermos um hospital SPA, tratar através de contratos individuais de trabalho. Temos de recorrer às empresas. Aí cada profissional de saúde apresenta os preços que entende. Entretanto houve a saída de um diploma que limita os valores máximos por hora a pagar aos médicos. Nós abrimos os concursos e as pessoas concorrem e em função dos preços que apresentam, e nós escolhemos aquele que tiver a melhor relação qualidade/preço.   J. C.: Há mais necessidades? C. S.: De uma maneira geral, tirando uma especialidade, temos carências em todas as outras. A área onde não necessitamos de mais pessoas, é na pediatria. Em todas as outras precisamos de mais médicos. Há casos em que precisamos de mais um ou dois, mas temos áreas onde precisamos mais quatro. Porque os médicos também direito a férias, folgas e baixas, cria-se uma lista de espera muito grande. Por muito que essa pessoa trabalhe, não consegue dar resposta às necessidades em saúde, na especialidade onde há apenas um médico para uma população de 200 mil pessoas. Estamos a tentar definir o perfil das valências para o CHON e a partir daí alargar o número de médicos. Isto é um processo que tem de ser discutido pela tutela.       “…parte do património passa a ser da responsabilidade, em termos de gestão e manutenção, da Câmara…”       J. C.: Em termos de custos da manutenção da Mata, foi uma boa opção ter encerrado o portão? C. S.: A decisão do encerramento do portão da Mata não teve como principal objectivo a redução dos custos financeiros. Teve a ver exclusivamente com uma opinião técnica do arquitecto paisagista que estuda a área do património e do parque e mata. Foi feito um relatório onde ele dizia que se nada fosse feito, poderia haver um risco para muitas daquelas árvores e vegetação morrer por haver contaminação dos solos. Foram também referidos, e terá sido o que maior peso teve na decisão, os problemas de contaminação do terreno e da água dos furos termais. Em função disso, limitámos o acesso de carros ao interior do parque. Foi apenas por isso.   J. C.: E quanto é que o Centro Hospitalar gasta na manutenção do Parque e da Mata? Há quem diga que gastam cerca de 600 euros só para dar milho e pão aos pombos, patos e peixes. C. S.: Sinceramente não sei quanto é que se gasta em milho e pão, mas sei quanto se gasta no total com manutenção e conservação da zona do património. Sei que no total, e sem grandes obras de conservação, gasta-se em manutenção dos espaços ajardinados, luz, água, pessoal, numa empresa que presta cuidados de conservação, toda a parte do museu e igrejas, cerca de um milhão de euros por ano. São custos que envolvem toda a área patrimonial e sem considerar as grandes obras de conservação e manutenção.   J. C.: Se esta parte saísse do Centro Hospitalar aliviaria financeiramente a instituição e poderia focar mais verba no tratamento de doentes? Isto porque a Câmara já assumiu que poderia ficar com o parque e a mata… C. S.: Quando chegámos, reactivámos um processo que estava em papel e não estava em terreno. Era um grupo de trabalho que tinha sido criado por parte do Ministério e da Câmara Municipal para fazer um estudo que permitisse apresentar alternativas para esse problema. Nós concretizámos esse objectivo e colocamos o grupo de trabalho em campo que fez um estudo que foi apresentado publicamente e agora aguardamos a versão final desse processo, para conjuntamente com a tutela e Câmara Municipal, discutirmos e avançarmos com algumas medidas. Nesse estudo, parte do património passa a ser da responsabilidade, em termos de gestão e manutenção, da Câmara.   J. C.: Isso seria bom para o CHON? C. S.: Isso era bom por um outro motivo. O património não é do hospital. É das pessoas. O património que as pessoas entendem que é do Centro Hospitalar, ele na realidade é dos caldenses. A única coisa que pretendemos é transferir para a cidade aquilo que é da cidade. Apenas isso.   J. C.: O Hospital Termal poderia ser uma boa fonte de receita, na vertente de turismo? C. S.: O CHON tem uma característica única, que é de permitir potencialmente a integração do termalismo. Temos uma estância termal que pertence ao SNS e o Hospital Termal é o único que presta serviços de saúde aos doentes. Esta característica única no CHON é uma vantagem e uma oportunidade. Defendo que o Hospital Termal deve manter-se ligado ao CHON e no âmbito do SNS. Entendo que há um trabalho ainda longo a desenvolver, mas que passa por atingir o objectivo de criar uma área de turismo médico e não uma área de turismo de saúde. A criação de uma área de turismo médico resultará da junção de determinadas especialidades do tratamento clínico com o tratamento termal. Nós estamos a desenvolver um estudo, onde espero poder concluir que há benefícios para o doente e para o Estado na conjugação destes dois tratamentos em simultâneo em algumas especialidades. Se isso for comprovado, teremos uma redução do tempo necessário de recuperação dos doentes quando juntamos o termalismo com o tratamento clínico, ou uma redução do custo com medicamentos com estes doentes.   J. C.: A farmácia do Hospital das Caldas funciona em contentores há vários anos. Isso é uma despesa enorme? C. S.: É verdade.   J. C.: Quantos milhares de euros gastam por ano no aluguer dos contentores? C. S.: Cerca de 140 a 150 mil euros por ano. A nossa ideia é transferir a farmácia do local onde está para um outro espaço que iriamos reconstruir, mas para isso precisamos de dinheiro que ainda não temos. Estamos a aguardar uma melhor oportunidade para conseguirmos o financiamento necessário para realizar a obra. É uma obra prioritária para este conselho de administração. Já foi feito um pedido à tutela.       “…mais de 60 por cento das pessoas que recorrem às urgências não precisava de vir…       J. C.: As reclamações no CHON continuam a ser pelo tempo de espera, porquê? C. S.: O tempo de espera continua a ser essencialmente grande em determinados períodos do ano, no Inverno é complicado devido às doenças respiratórias, mas por outro lado, resulta também por haver uma cultura de ida às urgências hospitalares em Portugal, que leva as pessoas, indevidamente, a dirigirem-se às urgências hospitalares. Os classificados como verdes e azuis não são urgentes, aguardam algumas horas porque em primeiro lugar estão aqueles que têm problemas agudos. Isso só se resolverá se toda a população que recorre às urgências perceber que só o deve fazer em caso urgente e agudo. Um hospital faz parte de uma rede de prestação de cuidados de saúde e é um dos componentes dessa rede. Como em qualquer sistema de rede, se um dos componentes falha, vai provocar stress noutro. Se as pessoas pudessem recorrer aos cuidados primários e só depois às urgências, as pessoas que tinham casos agudos e urgentes eram muito mais rapidamente tratadas.   J. C.: Tem ideia de quanto é que gasta a mais nas urgências por este sistema não estar a funcionar? Quanto é que o CHON gasta com os doentes classificados de azuis e verdes? C. S.: Verdes e Azuis são mais de 60 por cento das pessoas que recorrem às urgências. Temos aqui em média 160 a 200 pessoas por dia, ou seja cerca de 120 não precisavam de vir. Isto quer dizer que os outros eram atendidos muito mais rapidamente e possivelmente não precisávamos de ter tanta gente no atendimento, quer médicos, enfermeiros, assistentes e pessoal, porque o número de pessoas que recorre às urgências era menor. É óbvio que a questão financeira é importante, mas mais relevante é a prestação de cuidados de saúde aos doentes.     “…a ampliação do Hospital das Caldas neste momento está suspensa…”     J. C.: Seria mais vantajoso administrar apenas um edifício e um hospital do que quatro? C. S.: Eu falo sobre a realidade. A nossa realidade são quatro hospitais. Caldas, Alcobaça, Peniche e o Hospital Termal. É com esta realidade que nós lidamos. Não adianta muito falar sobre cenários hipotéticos.   J. C.: E como está a questão da ampliação? C. S.: Neste momento está suspensa. Eu não tenho mais informações do que aquelas que tinha no início do ano. Há um grupo de trabalho que está a desenvolver um plano de ampliação do Hospital que tinha até ao final do terceiro trimestre como objectivo entregar esse trabalho e com todas estas mudanças não sei se o entregou ou não. Ainda não abordei a tutela sobre isso.   J. C.: Gostaria de continuar à frente do CHON, apesar de ter sido nomeado por outro Governo? C. S.: Os elementos deste CA vieram com um espírito de missão e é com esse espírito que cá estamos. Este é um projecto muito desafiante e que exige muito de cada um de nós.       “…tenho uma relação extremamente cordial com o presidente da Câmara…”     J. C.: Como está a relação entre o CA do CHON e a CMCR? C. S.: Com alguma frequência saem notícias sobre uma relação tensa e histórica entre a o CHON e a CMCR. Sobre o passado não falo porque não estava cá. Mas dentro dos parâmetros que pretendemos desenvolver, são relações de parceria e colaboração da região Oeste Norte. Nesse sentido a CMCR está incluída. Deixo aqui de uma forma clara e reafirmada, que quer a título pessoal e institucional, tenho uma relação extremamente cordial com todas as entidades e também com a CMCR, nomeadamente com o seu presidente. Se quiserem falar do passado, falem. O presente não é assim. Temos desenvolvido um trabalho conjunto. É bom que relativamente a este assunto se comece a olhar para o presente e para o futuro e não continuar a falar do passado, que neste momento não é real.   J. C.: A Câmara já pagou a dívida para com o CHON e o CHON já pagou a água que devia? C. S.: Os acertos de contas que havia entre o CHON e a CMCR, e que pelos vistos eram históricas, já foram resolvidos, durante este ano.
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