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“Máfia do Oeste” acusada pelo Ministério Público de crimes de 1,5 milhões de euros

30-11-2011 |

Um italiano detido em Outubro do ano passado na aldeia do Carvalhal, no Bombarral, é o cabecilha do grupo de sete arguidos que viu o Ministério Público de Leiria acusar na semana passada dos crimes de burla qualificada, falsificação de documentos, associação criminosa, receptação e abuso de confiança, que terão lesado 20 empresas em 1,5 milhões de euros. O líder do grupo é Giovanni Lore, 46 anos, que possui um mandado de detenção europeu por supostas ligações à máfia siciliana e que actualmente se encontra em prisão preventiva no Estabelecimento Prisional de Monsanto. É o único arguido preso. Os restantes elementos do grupo conhecido por ‘Máfia do Oeste’, cujos membros foram detidos em resultado de uma operação da Polícia Judiciária a 21 de Outubro de 2010 no Bombarral e Torres Novas, são três italianos e três portugueses, com idades entre os 26 e os 51 anos. Dedicavam-se à clonagem de empresas com créditos firmados no mercado, usurpando a sua identidade, tentavam fazer compras não as pagando. Os sítios na Internet destas empresas eram clonados, mantendo o mesmo visual das páginas, mas mudando a morada e os números de contactos. Munidos destas ferramentas, apresentaram-se como representantes das empresas clonadas e contactaram empresas em Portugal, Dinamarca, Noruega, Reino Unido, Espanha e França. Aparentando idoneidade e solidez financeira, o grupo negociava, sobretudo, em produtos alimentares, propondo-se comprar produtos alimentares a crédito. Convencidas que estavam a lidar com empresas sólidas e cumpridoras, as firmas burladas aceitaram vender a mercadoria. Depois, o grupo revendia os bens para o mercado nacional e para Espanha e Itália, por preços inferiores àqueles que eram praticados - no mínimo em um terço -, utilizando para isso uma empresa sedeada em Torres Novas, obtendo lucros elevados, mas já não pagava aos fornecedores originais. Actividade semelhante já estaria a ser desenvolvida em anos anteriores em Espanha. Segundo a acusação do Ministério Público, o grupo utilizou dados de empresas italianas conhecidas no mercado, possuidoras de um elevado número de negócios e com baixo risco nos ‘rankings’ de empresas de seguros e de rating para enganar as empresas europeias. O prejuízo causado junto de três empresas portuguesas ascenderá a 157 mil euros. A maior fatia diz respeito a burlas cometidas na Noruega, Grã-Bretanha, Dinamarca, Espanha e França, que ascendem a 1,3 milhões de euros, relativos a mercadoria que nunca chegou a ser paga. A actividade do grupo estaria numa fase de crescimento. Giovanni Lore vivia há nove meses em Portugal, depois de ter fugido das autoridades espanholas da zona de Vigo, onde, em Agosto do ano passado, 14 homens que supostamente para ele trabalhavam, foram detidos numa operação policial. Segundo as autoridades espanholas, através de uma empresa de importação de peixe em Vigo, na Galiza, terá “lavado” dois milhões e meio de euros, provenientes de tráfico de droga e armas, e negócios relacionados com a prostituição. Os investigadores da Polícia Judiciária de Leiria há quatro meses seguiam os seus passos e vigiavam a casa onde morava na aldeia do Carvalhal e também numa outra casa, no Cintrão, Bombarral, onde manteria uma relação amorosa com uma mulher brasileira. Foram apreendidos diversos veículos, vários computadores e pen’s, muita documentação comercial, carimbos sobre firmas clonadas para concretização dos desígnios criminosos e uma arma de fogo, entre outros materiais e documentos. Na aldeia do Carvalhal poucos conheciam Giovanni Lore. Intitulava-se empresário na área dos congelados. Morava na Vivenda do Sossego, que apesar de se situar perto do centro da localidade, escapava das atenções da população, que não desconfiava de nada. Mas era ali que frequentemente entravam prostitutas de luxo, transportadas de táxi, e trazidas e levadas a casas de alterne de luxo em Lisboa e a casas particulares em vários pontos do país, desde Santarém ao Algarve. Uma moradora na localidade esteve para lhe vender uma casa. O negócio não se concretizou e Giovanni Lore fez também uma proposta de aquisição da Vivenda do Sossego, que tinha alugado a um emigrante na Inglaterra, mas não terá havido interesse deste. Giovanni Lore pediu o atestado de residência à Junta de Freguesia do Carvalhal. “Foi acompanhado de duas testemunhas portuguesas residentes no concelho”, divulgou uma fonte da autarquia. Era na vila do Bombarral que Giovanni Lore fazia compras. Tornou-se cliente assíduo de um café, onde fazia “grandes despesas, sobretudo em bebidas alcoólicas”. Segundo a proprietária do estabelecimento, Sónia Fernandes, fazia-se rodear de “outros italianos, que não eram sempre os mesmos, e de mulheres que se via serem acompanhantes de luxo”. Giovanni Lore é, ao que se sabe, o terceiro elemento com cargos de chefia na máfia italiana localizado em Portugal. O primeiro caso reportado pela PJ ocorreu no início da década de 1990. O chefe de uma família calabresa, que, anos antes, forjara a própria morte num acidente de aviação, vivia com identidade falsa em Cascais, onde dirigia uma empresa de pesca. Foi executado com dois tiros de revólver 38 na cabina telefónica onde semanalmente efectuava contactos com elementos que se lhe mantinham fiéis. Anos mais tarde, seria preso Mário Giovinni, outro chefe de uma família siciliana, tida como das mais violentas. Até ser extraditado, foram abortadas diversas tentativas de fuga das cadeias portuguesas por onde passou. Contudo, a PJ assegura que não detectou indícios de actividade mafiosa no país. O director nacional adjunto da Polícia Judiciária, Pedro do Carmo, garantiu que “não existe em Portugal uma estrutura organizada, hierarquizada, com regras muito estritas que tentem concretizar o seu desígnio criminoso com recurso à violência, como é o caso da máfia”.   Francisco Gomes (texto) Carlos Barroso (fotos)
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